nonus

-Acho que estou no meu limite.
-Oi?
-É. Acho que estou no meu limite.
-Como assim limite? Limite de quê?
-Limite de limite. Sabe? Aquela sensação de não sei se vou aguentar mais.
-Não sei. Aconteceu alguma coisa?
-Aconteceu muita coisa. Você sabe.
-Mas achei que você estivesse bem.
-Eu também. Mas não sei. Na verdade eu meio que estou bem não estando. Bem no meu limite.
-Quer conversar?
-Sei lá. Estou com a sensação de que vou desmoronar a qualquer momento e chorar tudo o que eu não consegui. Virar pó.
-Mas está tudo desmoronando mesmo.
-Estou pressentindo que vai ser horrível. E é engraçado que qualquer coisa que escuto ou vejo ou leio ou escrevo parece meio triste e me deixa mais perto de ruir.
-Ainda mais debaixo dessa lua cheia enorme.
-Pois é. Então acabo em silêncio, sozinho. Ou me ocupando de tudo e de todos para me manter no barulho, sozinho.
-Mas a vontade que vem é de… não sei.
-Ser abraçado, beijado, amado.
-Amado você sabe que é.
-Mas não é a mesma coisa.
-Eu sei. Me sinto meio endurecido de tudo. Mas, você sabe como eu sou fraco e que isso não é de verdade.
-É, meu amigo. Mas de tanto empilhar coisas dentro de si, uma hora o peso ia acabar ruindo essa casca toda.
-Agora não tem mais jeito.
-Não.
-E o que você vai fazer?
-Não sei. Talvez pedir amor, para me ajudar a me aguentar quando eu for cair de vez.
-Mas não é cedo demais?
-Sim.