March 7, 2012   1 note

nonus

-Acho que estou no meu limite.

-Oi?

-É. Acho que estou no meu limite.

-Como assim limite? Limite de quê?

-Limite de limite. Sabe? Aquela sensação de não sei se vou aguentar mais.

-Não sei. Aconteceu alguma coisa?

-Aconteceu muita coisa. Você sabe.

-Mas achei que você estivesse bem.

-Eu também. Mas não sei. Na verdade eu meio que estou bem não estando. Bem no meu limite.

-Quer conversar?

-Sei lá. Estou com a sensação de que vou desmoronar a qualquer momento e chorar tudo o que eu não consegui. Virar pó.

-Mas está tudo desmoronando mesmo.

-Estou pressentindo que vai ser horrível. E é engraçado que qualquer coisa que escuto ou vejo ou leio ou escrevo parece meio triste e me deixa mais perto de ruir.

-Ainda mais debaixo dessa lua cheia enorme.

-Pois é. Então acabo em silêncio, sozinho. Ou me ocupando de tudo e de todos para me manter no barulho, sozinho.

-Mas a vontade que vem é de… não sei.

-Ser abraçado, beijado, amado.

-Amado você sabe que é.

-Mas não é a mesma coisa.

-Eu sei. Me sinto meio endurecido de tudo. Mas, você sabe como eu sou fraco e que isso não é de verdade.

-É, meu amigo. Mas de tanto empilhar coisas dentro de si, uma hora o peso ia acabar ruindo essa casca toda.

-Agora não tem mais jeito.

-Não.

-E o que você vai fazer?

-Não sei. Talvez pedir amor, para me ajudar a me aguentar quando eu for cair de vez.

-Mas não é cedo demais?

-Sim.

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