-Limite de limite. Sabe? Aquela sensação de não sei se vou aguentar mais.
-Não sei. Aconteceu alguma coisa?
-Aconteceu muita coisa. Você sabe.
-Mas achei que você estivesse bem.
-Eu também. Mas não sei. Na verdade eu meio que estou bem não estando. Bem no meu limite.
-Quer conversar?
-Sei lá. Estou com a sensação de que vou desmoronar a qualquer momento e chorar tudo o que eu não consegui. Virar pó.
-Mas está tudo desmoronando mesmo.
-Estou pressentindo que vai ser horrível. E é engraçado que qualquer coisa que escuto ou vejo ou leio ou escrevo parece meio triste e me deixa mais perto de ruir.
-Ainda mais debaixo dessa lua cheia enorme.
-Pois é. Então acabo em silêncio, sozinho. Ou me ocupando de tudo e de todos para me manter no barulho, sozinho.
-Mas a vontade que vem é de… não sei.
-Ser abraçado, beijado, amado.
-Amado você sabe que é.
-Mas não é a mesma coisa.
-Eu sei. Me sinto meio endurecido de tudo. Mas, você sabe como eu sou fraco e que isso não é de verdade.
-É, meu amigo. Mas de tanto empilhar coisas dentro de si, uma hora o peso ia acabar ruindo essa casca toda.
-Agora não tem mais jeito.
-Não.
-E o que você vai fazer?
-Não sei. Talvez pedir amor, para me ajudar a me aguentar quando eu for cair de vez.
Sonhei que você cantava para mim uma música alemã bem do jeito que disse que não faria. E, mesmo sem entender nada, eu achava tudo lindo e quase chorei enquanto ouvia. Chorei porque decidi entender a letra como um poema desses que se declaram e juram companhia eterna. Ou por não saber se posso me deixar apaixonar por um príncipe encantado de um reino distante, que o destino colocou na vinha vida.