November 5, 2012

tertiusdecimus

enfim retorno à casa.

tudo tão do jeito que está

talvez não tenha existido

desde a última ausência

as mesmas flores, medos,

ansiedades, livros e canções

roupas, palavras, sentimentos

aspirações, angústias e conceitos

jogados pelos tapetes da vida

já puídos de passos e poeiras de sono

só dou falta dos sonhos e fragilidades

esses deixei enterrados em terra dessas

ou quem sabe essas enterradas nesses

que frutos darão, ainda não sei

November 1, 2012

duodecimo

Sentiu o gosto de café e cigarro na boca mais uma vez. Mesmo que dessa fosse mais um truque da sua cabeça. Enquanto a imagem ainda durava na retina doente, o peito apertava cada vez mais forte de lembrança dos últimos grandes momentos vividos. Não sabe ao certo se é questão de lembrança, perda, hiato. Mas o fato é que as lágrimas são verdadeiras e não findam. A vida e o universo conspirando para causar as coincidências mais improváveis, mas - então - possíveis. E reascende no peito uma chama que ardia e queimava com vigor, ao mesmo tempo em que trazia luz às existências escuras. O fogo -julgava - já apagado, mas bastou essa imagem grudada na retina doente para explodir em uma bomba incendiária.
October 8, 2012

undecimus

Achei uma carta que você me escreveu há muito tempo. Dizendo todas as palavras de amor que eu queria ouvir. Eu lembro que sempre mandava as indiretas mais bobas para lhe fazer dize-las por conta própria. Mas como quase nunca saíam, quando saíam eu ficava extasiado e tinha mais e mais e mais e mais motivos para controlar cada ato meu. O que me movia era o medo. De me perder de mim. Eu me via de presente para ti, então, uma partida seria o fim. Porque pior do que completamente sozinho é quando não se tem nem à própria companhia. Mas bastava uma carta dessas que acabei de achar para esconder esse mal e me deixar explodindo de contentamento. Aliás, uma meia dúzia de palavras faladas talvez já fossem suficientes. Saudades dessa época mais simples. Enganar-se a si mesmo para ser enganado é o que traz a bênção da ignorância.

suburban war.

October 6, 2012

decimus

Sentiu a água gelada inundar primeiros os ombros, depois o resto das costas, a cabeça, o resto. Ao mesmo tempo em que afundava e seu todo lutava para emergir, a cabeça pensava cada vez mais fundo. O corpo todo começou um estado de meio transe, onírico, etéreo. Cada parte fazia-se ser sentida para mostrar o quanto formigava e deixava de sentir.  Era isso o que faltava e tornava tudo mais frio. Ele não sentia.

June 8, 2012   2 notes

All I wanna do is make you happy (the origin of love)

(Source: vimeo.com)

May 17, 2012

this is the first day of my life.

May 15, 2012

Bom(ns) dias(s)!